Memória 30 anos da Copa Libertadores de 1995 Capítulo final 30 AGO 2025 15:00 CAPÍTULO FINALFinal – O bicampeonato em MedellínDepois de percorrer um árduo caminho, superando grandes batalhas, o Grêmio chegava pela terceira vez em sua história a uma decisão de Copa Libertadores da América. Aquele cobiçado troféu erguido em 1983, que escapara no ano seguinte, estava outra vez no horizonte gremista.O último obstáculo no caminho do sonho era o Atlético Nacional de Medellín, que chegou à final ostentando a façanha de haver eliminado o poderoso River Plate, em pleno Monumental de Núñez, na semifinal. Além do gigante argentino, a equipe verdolaga deixou pelo caminho Millonarios-COL, Universidad Católica-CHI, Universidad de Chile-CHI e Peñarol-URU. O time não fez melhor campanha que o Grêmio na competição, mas levou o segundo jogo da decisão para seus domínios por conta do chaveamento dos confrontos sorteados pela Conmebol. Ciente das dificuldades que encontraria em solo colombiano, o Tricolor entrou em campo na noite de quarta-feira, dia 23 de agosto, com o objetivo de encaminhar a conquista da melhor forma possível. Com o apoio de quase 50 mil torcedores, o Grêmio fez uma atuação de luxo e venceu pelo placar de 3 a 1. Um resultado considerado pequeno diante da imensa superioridade e da grande quantidade de oportunidades criadas. O Tricolor começou dominando desde o início, sem deixar o adversário respirar e empilhando oportunidades. A melhor delas foi em cabeceio de Rivarola, que obrigou o goleiro Higuita a fazer um milagre. A vitória começou a tomar forma aos 36 minutos do primeiro tempo: Paulo Nunes recebeu na intermediária, pela direita, e cruzou procurando Jardel, dentro da área. O zagueiro Marulanda se antecipou ao atacante gremista e, de perna esquerda, acabou cortando errado, mandando a bola contra sua própria meta. Grêmio 1 a 0. O gol inflamou a torcida nas arquibancadas e motivou ainda mais os jogadores dentro de campo. Aos 43, nasceu o segundo: Carlos Miguel recebeu de Arce, na ponta direita. Ele driblou o marcador para dentro e arriscou o chute, de canhota, do bico da grande área. O goleiro Higuita deu rebote e Jardel, na pequena área, aproveitou para marcar. Grêmio 2 a 0 e festa no Estádio Olímpico. A segunda etapa já começou com bola na rede. No primeiro lance, após cobrança de escanteio de Carlos Miguel, da esquerda, Jardel subiu de cabeça, Higuita não segurou e Rivarola mandou para o gol aberto. O árbitro anulou alegando falta do atacante gremista ao dividir no alto com o zagueiro colombiano. Aos 11 minutos, outra vez em cobrança de escanteio, o Grêmio ampliou o placar: Arce bateu da direita, na pequena área, Rivarola desviou de cabeça, Higuita deu rebote novamente e Paulo Nunes veio de trás para chutar para as redes. Grêmio 3 a 0. Apesar da grande vantagem, a equipe de Felipão seguiu dominando e criando oportunidades para ampliar. O Nacional, por sua vez, não sabia se saía de trás para minimizar o prejuízo ou se seguia na defesa para não levar mais gols. Aos 26 minutos, após grande jogada individual de Arango, Ángel foi lançado atrás da zaga e bateu na saída de Danrlei para descontar. Grêmio 3 a 1.Era tudo que a equipe colombiana queria. O gol trouxe o time de volta ao jogo e de volta à disputa do título. O Grêmio ainda tentou ampliar, mas não conseguiu. Pelas circunstâncias do jogo, pelo que a equipe apresentou, a torcida deixou o Olímpico com o sentimento de que o time perdera a oportunidade de matar o confronto já na primeira partida. A decisão seguia em aberto para o jogo de volta, na Colômbia, na outra quarta-feira. Depois de trabalhar no final de semana no gramado suplementar do Olímpico, recebendo a boa energia dos torcedores, a delegação seguiu em voo de carreira para Medellín, numa viagem que durou aproximadamente oito horas. Já em solo colombiano, permaneceu concentrada em um hotel afastado do centro da cidade e com forte aparato de segurança do exército local. Na véspera da decisão, o técnico Luiz Felipe Scolari realizou o último treinamento no gramado do Estádio Atanasio Girardot, local da partida. No final da manhã de 30 de agosto, dia do jogo, um avião fretado saiu de Porto Alegre levando 110 torcedores do Grêmio e pousou no aeroporto de Medellín. O animado grupo se juntou à delegação no hotel e seguiu, no meio da tarde, para o estádio. Por outro lado, a mobilização da torcida colombiana era total. Vestindo verde e branco, os seguidores do Nacional tomaram as ruas de Medellín com bandeiras e buzinaços, confiantes de que a equipe reverteria o resultado e conquistaria o título dentro de casa. O Grêmio entrou em campo pouco antes das 20h30 no horário local (22h30 no Brasil), recebendo o apupo de mais de 52 mil torcedores e um barulho ensurdecedor nas arquibancadas do Atanasio Girardot. O apoio refletiu na atuação da equipe local dentro de campo. O grande trunfo era o retorno do goleador Aristizábal, que não havia atuado no primeiro jogo por estar suspenso. O camisa 9 era a maior esperança do time verdolaga. Apesar do domínio dos donos da casa, a primeira grande chance foi do Grêmio: Dinho fez o lançamento do campo de defesa procurando Jardel, na frente. O zagueiro colombiano chegou antes, mas acabou recuando errado para Higuita. Jardel recebeu o presente, invadiu completamente livre e chutou por sobre o travessão. Um gol gremista neste momento certamente mudaria a cara do jogo.Passado o susto, o Nacional respondeu forte e quase marcou logo depois. Ángel recebeu na área e chutou sobre o corpo de Danrlei. Na sequência, no bate-rebate dentro da área, o goleiro gremista salvou outra vez, e a bola acabou saindo. Aos 12 minutos, a pressão colombiana surtiu efeito e o Nacional abriu o placar muito cedo. Era tudo que a equipe local queria e precisava. Santa cruzou da direita, Ángel ajeitou e Aristizábal apareceu atrás da zaga para chutar na saída de Danrlei. 1 a 0. O Nacional precisava de mais um gol para levar a decisão às penalidades máximas. Levou um tempo para o Grêmio entrar no jogo e colocar a cabeça no lugar. Após abrir o marcador, o adversário teve a oportunidade de ampliar novamente com Aristizábal. O goleador recebeu na frente e tocou por cobertura, na saída desesperada de Danrlei. Para sorte gremista, a bola passou à direita. O Tricolor respondeu com Jardel, mandando de cabeça rente ao poste direito de Higuita. E com Paulo Nunes, também de cabeça. Desta vez, o goleiro colombiano fez a defesa. Com uma postura mais ofensiva, o Grêmio conseguiu levar o jogo para o intervalo. Luiz Felipe Scolari conversou com o grupo no vestiário e ajeitou o time para a etapa final. O técnico do Nacional, por sua vez, tirou um meio-campista e colocou mais um atacante. Aos 20 minutos, Paulo Nunes sentiu uma lesão e teve que deixar o gramado para a entrada de Alexandre Xoxó. Mesmo com vantagem na posse de bola, o time local não conseguia mais levar perigo à meta de Danrlei. Jogando com maturidade, o Grêmio passou a picotar o jogo e administrar a vantagem no placar agregado. Aos poucos, vendo o tempo se esvair, jogadores e torcedores locais foram se impacientando com a inoperância do time. Nos minutos finais, Felipão fez mais duas trocas: primeiro colocou o zagueiro Luciano no lugar de Arilson. Na sequência, aos 40 minutos, Nildo entrou no lugar de Jardel. Em sua primeira participação no jogo, Nildo tocou de cabeça, Goiano chutou para cima e Alexandre Xoxó pegou a sobra atrás da zaga. Ele invadiu a área, colocou na frente e foi atropelado pelo defensor colombiano. Penalidade corajosamente marcada pelo árbitro chileno Salvador Imperatore. Dinho pegou a bola, colocou na marca e soltou a bomba no meio do gol para vencer o goleiro Higuita. O empate garantiu a conquista do bicampeonato e fez explodir uma festa inesquecível em Medellín e em todo o Brasil. Enquanto o capitão Adilson levantava o troféu diante dos 110 torcedores que estavam no Atanasio Girardot, centenas de milhares de gremistas invadiram as ruas de Porto Alegre na madrugada de quarta para quinta-feira. A comemoração seguiu com a chegada da delegação ao aeroporto Salgado Filho, no dia seguinte, em carreata dos campeões até o Palácio Piratini, sede do governo do Estado. Há 30 anos, uma campanha inesquecível que segue na memória de cada torcedor e que forjou uma geração de gremistas que escreveram para sempre seus nomes na história do Clube. CAPÍTULO 1 CAPÍTULO 2 CAPÍTULO 3 CAPÍTULO 4