Memória

30 anos da Copa Libertadores de 1995

Capítulo 3

28 AGO 2025 17:02 Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense

Em homenagem aos 30 anos da conquista do Bicampeonato da Copa Libertadores da América, o site oficial do Grêmio apresenta uma retrospectiva relembrando cada passo do Tricolor naquela trajetória vitoriosa de 1995.

CAPÍTULO 3:: 

Quartas de Final – O duelo épico com o Palmeiras

Se havia um confronto que mobilizava o Brasil na Libertadores de 1995, era o reencontro entre Grêmio e Palmeiras. As duas equipes já haviam se enfrentado quatro vezes no ano, e a rivalidade começava a se acirrar. O Tricolor ainda não havia vencido, mas eliminara os paulistas em pleno Palestra Itália nas oitavas de final da Copa do Brasil, pelo critério do gol qualificado, após dois empates — 1 a 1 e 2 a 2.

Com a melhor campanha na fase classificatória, o Palmeiras chegou às quartas de final com a vantagem de decidir o jogo de volta em casa. A equipe do Palestra Itália havia superado o Bolívar-BOL nas oitavas, com derrota por 1 a 0 na altitude de La Paz e vitória por 3 a 0 em São Paulo.

O primeiro jogo aconteceu na fria noite de quarta-feira, 26 de julho, no Estádio Olímpico. Pouco mais de 16 mil torcedores compareceram, número explicado pelo fato de a partida ter sido transmitida pela TV aberta também para Porto Alegre — algo incomum na época. O duelo era equilibrado até que, aos 16 minutos, o craque Rivaldo entrou de forma violenta em Rivarola e foi expulso após receber o segundo cartão amarelo. Com um jogador a mais, o Grêmio passou a dominar. Aos 28, Dinho e Valber se desentenderam e também acabaram expulsos pelo árbitro Carlos Vinícius Cerdeira, o que gerou uma briga generalizada fora de campo e paralisou o jogo por 15 minutos.

Pouco antes do fim do primeiro tempo, Roger fez jogada pela esquerda e cruzou para a área. A defesa palmeirense afastou mal, e a bola sobrou para Arce, na entrada da meia-lua. O lateral dominou e soltou uma bomba no canto direito de Sérgio: Grêmio 1 a 0. Nos acréscimos, aos 47, Arilson recebeu de Arce e arriscou da intermediária. A bola desviou no zagueiro e encobriu o goleiro paulista. Grêmio 2 a 0 no intervalo.

Na etapa final, brilhou a estrela de Jardel. O centroavante marcou três vezes em uma atuação memorável. Logo aos 3 minutos, Roger cruzou da esquerda e Jardel se antecipou para desviar de pé direito no canto oposto de Sérgio: 3 a 0. Aos 20, Arilson recebeu de Carlos Miguel pela esquerda e cruzou no segundo pau, encobrindo o goleiro. Jardel subiu alto e cabeceou para o gol vazio: 4 a 0. Aos 36, Paulo Nunes cruzou da direita, e o artilheiro precisou cabecear duas vezes para vencer o goleiro: 5 a 0.

A enorme vantagem parecia garantir uma classificação tranquila às semifinais, mas o Palmeiras não havia jogado a toalha. No jogo de volta, em São Paulo, os paulistas armaram uma verdadeira guerra em seus domínios e devolveram os cinco gols sofridos em Porto Alegre, numa reação inimaginável.

Sem Dinho, expulso no jogo de ida, e Danrlei, suspenso pela Conmebol por envolvimento na briga do Olímpico, o Grêmio entrou em campo com Murilo no gol e três zagueiros, com Scheidt na vaga de Dinho. 

Logo aos 7 minutos, na primeira chegada gremista ao ataque, Arce cobrou falta da esquerda, próximo à área. A bola atravessou todo mundo e encontrou Jardel, que desviou para o fundo das redes. O gol solitário do artilheiro acabou sendo o passaporte do Tricolor para a semifinal. O Palmeiras conseguiu fazer 5 a 1, mas não foi suficiente.

Foi uma noite dramática, que segue viva na memória de quem a presenciou. Este confronto entre Grêmio e Palmeiras entrou para a história como um dos maiores clássicos brasileiros em competições sul-americanas, simbolizando a intensidade e a imprevisibilidade da Libertadores.

O próximo desafio seria contra o Emelec, valendo vaga na decisão.

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