Memória! Um século de memória: a trajetória de Salim Nigri que atravessa gerações Família é recebida na Arena do Grêmio e relembra história marcada por paixão, pioneirismo e pertencimento 25 MAR 2026 12:00 Mais do que um torcedor, Salim Barros Nigri foi parte viva da história do Grêmio. Na semana em que completaria 100 anos, sua trajetória tem sido relembrada de forma especial. A filha Vera Nigri, a neta Bruna Nigri e o bisneto Guilherme Nigri Melnik foram recebidos pelo presidente Odorico Roman e participaram de uma visita pela Arena, em um encontro marcado por memória, reconhecimento e emoção. Nascido em 25 de março de 1926, em Porto Alegre, filho de imigrantes judeus sefaraditas, Salim teve uma infância marcada por desafios. Após perder a mãe ainda bebê, foi criado pelos avós maternos no Centro da cidade, cercado pela forte tradição cultural de sua família. Ainda adolescente, encontrou no Grêmio um caminho que se tornaria definitivo em sua vida. Aos 14 anos, tornou-se sócio do Clube e passou a atuar voluntariamente na biblioteca. Pouco tempo depois, em 1945, formou a primeira torcida organizada gremista, ligada ao Departamento do Torcedor Gremista, tornando-se um dos grandes mobilizadores da arquibancada. Entre seus feitos mais emblemáticos está a criação do “Trem Azul”, caravana que levou centenas de torcedores a Novo Hamburgo na década de 40 para acompanhar o time, um movimento pioneiro que simbolizava a ideia de estar com o Grêmio em qualquer lugar. A história do Trem Azul segue viva até hoje. No Museu Hermínio Bittencourt, a família pôde revisitar esse capítulo marcante, em um espaço dedicado a preservar e contar um momento tão significativo da cultura gremista, uma conexão direta entre passado e presente. Seu Salim foi também quem criou e popularizou a frase “Com o Grêmio Onde Estiver o Grêmio”, eternizada em uma faixa nos estádios e que mais tarde inspiraria um dos versos do Hino Oficial do Clube. O jornalista Léo Gerchmann, autor de obra sobre sua trajetória, destaca a dimensão desse legado: “Ele é o patrono de todas as organizadas do Grêmio, ele que criou a primeira organizada. Ele que estendeu a faixa ‘Com o Grêmio Aonde Estiver o Grêmio’, no Fortim da Baixada em 1946, depois usada no hino do Clube”. Ainda jovem, Salim começou a perder progressivamente a visão devido à retinose pigmentar. A cegueira, no entanto, jamais diminuiu sua intensidade de vida. Com memória impressionante e paixão inabalável, tornou-se uma referência entre torcedores e amigos. Para a neta Bruna, o Grêmio foi mais do que uma paixão na vida do avô. “A vida dele sempre foi o Grêmio. Mesmo quando a visão se foi, o sentimento permaneceu intacto. Mais do que uma paixão, o Clube se tornou ainda mais essencial: um ponto de apoio, uma razão para seguir em frente, mantendo viva a alegria, o entusiasmo e a vontade de viver”, destaca. Entre lembranças e ensinamentos, o legado atravessa gerações. A filha Vera recorda com carinho os momentos vividos ao lado do pai, em jogos e eventos que reuniam a família em torno do Tricolor. “Eu só ouço falar bem do meu pai, então, é um orgulho grande. Tudo que eu tenho, da minha formação e do que passei para minha filha, é o legado dele: o carinho, a perseverança nos objetivos e nunca menosprezar o outro”, ressalta. O Presidente recebeu da família o primeiro instrumento musical da torcida gremista, que agora será entregue ao Museu como parte viva da nossa história. Para Odorico “esse gesto representa não apenas um objeto, mas o início de uma cultura que transformou a arquibancada. Salim foi importante para construir a identidade vibrante do torcedor gremista, que sua trajetória siga sempre lembrada inspirando gerações”. Bruna Nigri entrega ao Presidente Odorico o primeiro instrumento musical da torcida do Grêmio Falecido em 1º de março de 2010, Seu Salim deixou mais do que memórias: construiu um símbolo. Um torcedor que transformou amor em presença e arquibancada em pertencimento. Emocionada, Bruna resume esse sentimento em uma despedida que, na verdade, é continuidade. “Obrigada por ter me feito gremista, por ter me proporcionado tantos momentos e por todos os aprendizados do futebol que eu levo comigo para a vida”, finaliza a neta. Fotos: Amanda Ferronto / Grêmio FBPA Confira a matéria exclusiva da GrêmioTV: