Combate ao Racismo

"O Papel do Futebol na Luta Antirracista" foi tema da terceira live do projeto Clube de Todos

O encontro digital teve como objetivo debater importância das práticas antirracistas entre torcedores e opinião pública

08 SET 2020 21:38 | Atualizado em 08 SET 2020 21:40 Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense

Através do projeto "Clube de Todos", o Grêmio realizou na noite desta terça-feira, 8 de setembro, a última das três lives abordando o preconceito racial. O tema proposto aos debatedores foi "O Papel do Futebol na Luta Antirracista", que teve o jornalista Léo Gerchmann como mediador e foi transmitido ao vivo pela Grêmio TV no Youtube e Facebook oficiais do Tricolor. O encontro digital teve como objetivo debater de que forma o futebol pode ser um vetor importante na conscientização e importância das práticas antirracistas entre torcedores e opinião pública.

Entre os debatedores estava Roberta Rosa, a Beta, zagueira da Equipe Feminina de Futebol do Grêmio, o advogado Robson de Oliveira, a jornalista e escritora Eliana Alves Cruz e Rita Oliveira, Defensora Pública Federal.

Logo na abertura da Live, o mediador Léo Gerchmann fez uma menção ao trabalho que é realizado pelo projeto "O Clube de Todos" para conscientização do assunto: "Aquela estrela que está em nossa bandeira não está ali pelos títulos e glórias do Clube, mas pelo jogador Everaldo. E não somente por essa história de reconhecimento, que remete ao grande Tarciso, ao Lupicínio Rodrigues, autor do nosso hino, mas por todas as raças ou etnias que compõem o Grêmio.

Em sua primeira fala, a zagueira Beta relatou que nunca vivenciou preconceitos vindos de dentro do Clube, mas que adversários já demostraram desconforto com a sua posição: "Graças a Deus eu nunca passei por esse tipo de problema racial dentro do Grêmio. Cansei de escutar de adversários que eu estava do lado errado. Escutava de outros, coisas como "E ai negrona, tu está com a camisa errada". Fiquei me questionando o motivo de falarem isso, pois talvez me queriam ao lado deles, os adversários. Passamos diariamente por certas situações em transporte coletivo, com coisas que a gente nem espera. Dentro de um mercado, carregando uma mochila, tu nota que está sendo perseguida por alguém, um segurança e fui obrigada a questionar isso. A gente fica sem ação pelo fato deste racismo estrutural que existe. Temos que quebrar isso e ainda tem gente que não acredita que exista o racismo e precisamos lutar contra isso diariamente e fazemos isso divulgando, correndo atrás dos nossos direitos. As pessoas podem dizer que entendem do racismo, ou que é vitimismo nosso, mas quem não sente na pele, não sabe o que é isso.  

Robson de Oliveira, advogado, iniciou falando sobre este projeto "Clube de Todos": "O papel que o Grêmio desempenha não é visto em nenhum lugar, em nenhum outro time. É louvável o que o Grêmio está fazendo. Pesquisei antes da Live e percebi que mais da metade do elenco do Grêmio poderia sofrer atos racistas todos os dias. Entendo que o papel do futebol na luta contra o racismo é dar espaço, publicidade para o assunto.

A escritora e jornalista Eliana Alves Cruz, destacou a importância da abordagem que está sendo feita: "Por mais que muitas pessoas, em redes sociais, se manifestem dizendo que o Grêmio precisa falar apenas de futebol e não de outros assuntos, o tema precisa ser abordado: "Falar sobre racismo é falar de futebol. Enquanto a gente não encarar essa realidade de frente, nós vamos ficar andando em círculos. Em pleno 2020, ainda não conseguimos falar abertamente sobre o assunto. As pessoas se doem, como se fosse uma acusação. A primeira ação é "Eu não sou racista". O Futebol não escapa desta lógica de que fomos criados em um ambiente racista. O Clube tem um papel educador, uma responsabilidade social muito grande. 

Rita Oliveira, Defensora Pública Federal, também salientou a parceria feita entre Grêmio e Ministério Público: "É uma abertura do debate público. Temos que compreender que precisamos colocar essa discussão publicamente e procuramos o Grêmio para que essa parceria resultasse em um protocolo de práticas antirracistas. Antes mesmo dessa procura por parte do Ministério Público, já existia esse interesse por parte do Clube, que resultou neste em encontro de ideias. Tivemos tratativas frequentes até chegar no protocolo que foi aprovado pelo conselho deliberativo do Grêmio, que já implementou práticas que estão sendo desenvolvidas atualmente. Desde a criação de canais de denúncia, produção de material, utilização de campanhas, a criação de uma comissão estratégica com componentes de diversos setores internos do Grêmio e também do Ministério Público. 

Sobre os debatedores desta Live

Beta – zagueira da Equipe Feminina de Futebol do Grêmio desde o retorno da modalidade ao Clube, 2017

Robson de Oliveira -  advogado do Escritório Demarest Advogados, vencedor do Chambers Diversity & Inclusion Awards 2019, na categoria Future Leader - Minority Lawyers, membro do Comitê D Raízes do Demarest Advogados, da Comissão de Igualdade Racial da OAB/SP e do Fórum de Prevenção e Combate à Discriminação Racial no Trabalho do Ministério Público do Trabalho – MPT/SP, Coordenador do Projeto Incluir Direito, autor de diversos artigos publicados.

Eliana Alves Cruz - escritora e jornalista, é colunista do Uol Esportes. Suas obras tem como base, o resgate da memória social e cultural afro-brasileira, temática  que lhe rendeu premiação em dois romances:  Água de barrela e O crime do cais do Valongo. Recentemente lançou seu terceiro romance - Nada digo de ti, que em ti não veja - pela editora Pallas.

Rita Oliveira - Defensora Pública Federal, Coordenadora do Grupo de Políticas Etnorraciais da Defensoria Pública da União e especialista em direito público.

Mediador: Léo Gerchmann é jornalista e autor dos livros “Coligay, Tricolor e de todas cores”, “Somos azuis, pretos e brancos”, “Viagem à alma tricolor em 7 epopeias”, “Meu pequeno imortal”, “Jayme ao quadrado” e “Reconquista”. Grande parte desse trabalho teve como foco a diversidade e o respeito às diferenças. No jornalismo, atuou em redações como a da Folha de S. Paulo, Zero Hora e Placar e como  correspondente em Buenos Aires e na Copa do Mundo da França, em 1998.

Clube de Todos

Iniciado em meado de 2019, o projeto Clube de Todos tem como missão levar aos torcedores e público em geral, por meio de iniciativas políticas-sociais, a importância e necessidade em se combater a intolerância e a discriminação de toda natureza. Dentro deste contexto são promovidas palestras, programas de conscientização, de controle e de amparo a pessoas que vivenciam alguma situação de preconceito. As ações abrangem campanhas institucionais no estádio, atividades no matchday, além de orientação sobre procedimentos que devem ser adotados por  colaboradores do Clube.

Se você não conseguiu acompanhar ao vivo, assista ao vídeo abaixo 

As outras Lives

- Seminário virtual discute discriminação racial no futebol 

- Grêmio TV apresenta segunda live organizada pelo projeto Clube de Todos